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Quinta-feira, 28/08/2008
Um exército de leitores desse blog, liderados pelo Marcão, cobram mais atualizações nesse espaço. Entendo a carência senhores.
E admito minha culpa, minha máxima, como na liturgia. Em minha defesa, digo que sou preguiçoso e que não ando escutando tantas coisas novas como eu gostaria. Logo, não ando escrevendo no ritmo que um blog pede. Minha companheira neste espaço, a Juliana, também anda atarefada com as coisas dela no Caderno G. Mas qualquer hora ela aparece com muito mais competência do que eu.
Para matar a saudades, porém, republico um texto originalmente escrito para o Abacaxi Atômico, site do qual fui, com orgulho, colaborador durante algum tempo. À época, o Álvaro Pereira Júnior dava dicas na Folha de São Paulo para você se tornar um crítico musical. “Se o Álvaro pode, eu também posso”, pensei.
Não é nada, não é nada, achei meu manual de Lester Bangs bem mais bacana que o do editor do Fantástico. Confira e dê sua opinião:
A FolhaTeen da semana passada deu suas dicas para você se tornar um crítico musical. Milhares de e-mails entopem a caixa postal do ABACAXI ATÔMICO com a mesma dúvida: "Como? Oh Deus! Como me tornar o novo crítico musical indie descolado?" Esqueça o "Escuta Aqui". Preparamos umas dicas básicas que realmente vão te fazer chegar lá:
1) Essencial: para ser um crítico de música não é preciso ouvir música. Bobagem. Perda de tempo. A internet está cheia de gente que já fez o serviço por você. Ler algumas resenhas é bem mais fácil que ouvir discos. Decore o nome das bandas novas, escute o hit e faça o serviço. Não dê bola pros grupos antigos em especial. Basta saber que Velvet Undergound foi uma banda de um pessoal que usava óculos escuros e que o Jesus And Mary Chain não é uma seita religiosa. Faça uns elogios e diga que influenciaram muita gente, mas que a música pop está cheia de novidades e não dá pra perder tempo com velharia.
2) Leia o Álvaro Pereira Júnior, o Lúcio Ribeiro e, no máximo, mais um site cabeça a sua escolha. Basta. Eles lêem a NME pra você. Se eles falaram das bandas é porque deve ser legal. Evite os livros, principalmente clássicos e longos. Fuja dos russos, em especial. Essa coisa de estilo é bobagem. Monte um blog e use os termos paulistanos modernos do Lúcio Ribeiro mesmo que você more na Paraíba.
3) Engane no inglês. Como eu disse, o Lúcio Ribeiro já leu a NME por você. Veja no máximo as figurinhas. Sempre tem uma foto da Mariah Carey com pouca roupa.
4) Você é o máximo. Nada, desde Paulo Francis, é tão contestador quanto seu site, seu zine ou sua coluna no jornal. Quando for conversar com amigos fora de moda, dispare um monte de nomes de bandas que você conhece. Não precisa ter escutado não. Se não lembrar, invente uma com nomes bacanas. Faça combinações do tipo: "Ah cara, o Kings of a System e o SuperHot são tudo. Como você não conhece?". Se seu amigo replicar com bandas que você nunca viu e nem ouviu mais gordas, não desanime. Um "acho que eles precisam amadurecer o som" ou um "ah não sei, acho que estão entrando num lance muito comercial" pode resolver. Seja um racista musical e chame de estúpido qualquer um que não conheça suas bandas preferidas. Lembre-se de clichês do tipo "pagode fede" e "Tiririca é coisa de gente burra".
5) Seja amigo dos músicos. Essa é uma das mais importantes. A camaradagem com bandas é essencial. Distribua elogios, rasgue seda, diga que as bandas da sua cidade são realmente ótimas. Se a baixista bonita daquela bandinha indie te deu um fora, não pense duas vezes; chame o grupo de medíocre, comercial, o que for. Se ela te deu bola, o discurso muda e a menina pode se candidatar ao cargo da Kim Gordon.
6) Pratique a crítica útil. Chute cachorro morto e dê vivas aos novos gênios da nossa música. Se a gravadora não te mandou aquele cd bacana, meta bala. Se mandou, não custa dar uma ajudinha. Entre no esquema sem medo. Vá nas coletivas, nas apresentações de discos, encha a cara e dê tapinha nas costas dos figurões, produtores, engenheiros de som. Na hora de escrever, copie os releases e assine a matéria. Seja gente boa com o pessoal das rádios. Numa dessas eles falam de você durante as transmissões. O que importa é a amizade. Ter alguém com quem tomar cerveja depois do expediente é fundamental.
7) Prepare-se para um mundo de glamour nas redações. Existe espaço de sobra para crítica musical. Você pode inclusive resenhar um cd depois de fechar aquelas oito matérias policiais. Seu chefe vai adorar. Coloque os cds em volume alto. Todos vão amar. Afinal de contas, você é um crítico musical, cabeça, cool e descolado. Peça tempo para escrever sobre shows. Não ligue para prazos e exija que derrubem o espaço do noticiário de política para sua matéria que, afinal de contas, é arte. Você não precisa bolar legendas, nem fazer títulos e nem diagramar. Não no seu plantão, pelo menos
Um rápido olhar sobre o que andam aprontando as bandas da terrinha.
Our Gang
O trio, formado por remanescentes do ESS, inaugura amanhã seu endereço no MySpace,com algumas canções da banda, que ainda não tem disco gravado. Para comemorar, dois dos integrantes, Alec e André, discotecam amanhã na Vibe, na festa Rockindahouse.
Márcia Bley
Our Gang: MySpace e discotecagem.Relespública
A veterana banda curitibana lança no próximo dia 5 de agosto, no Sláinte (Al. Presidente Tannay , 435), o clipe da música “Homem Bomba”.
Plêiade
A banda segue divulgando seu terceiro disco, FF, e toca domingo, às 17 horas, no bar Venda (Rua José Saboia Cortes,153).
Dissonantes
Na última segunda-feira, os meninos mods gravaram no Sláinte uma participação para o programa "MTV e Cachorro Grande Apresenta Bandas do Sul". O Dissonantes que recentemente lançou seu primeiro CD "Cassino" e seu primeiro vídeo clipe da música "Rock Demodê", é um dos representantes curitibanos na série da emissora paulista. O outro grupo escolhido é o Subburbia, que gravou a participação no sebo pertencente ao vocalista E1000, no Água Verde.
Não sei em que fase de sua existência se encontra a MTV brasileira atualmente. A emissora de música passou por uma infinidade de transformações nos últimos tempos. Abandonou os videoclipes, depois, voltou a exibi-los, mas aposentou os programas temáticos, como os saudosos Lado B e Fúria MTV.
A explicação era de que ninguém mais escutava música em blocos e por isso, ter programas estanques de rap, metal ou rock alternativo não se justificava. Pode ser. Hoje, com o YouTube e o mp3, talvez não faça muito sentido fazer uma grade recheada de clipes. A solução, então, é a produção de programas próprios. E é extamente aí que as coisas se complicam.
Quem agüenta ver o quadragésimo quadro do Marcos Mion tirando sarro de clipes ruins? A coisa tinha lá sua graça quando ele resgatou os vídeos do Supla. Hoje, Mion é uma caricatura de si mesmo.
Cazé, a outra estrela da casa, deve ser o artista mais superestimado que já passou pela MTV. O homem da buzina está há duzentos anos na emissora, simplesmente porque não daria certo em nenhum outro programa, de nenhum outro canal. Ainda estou esperando um, no mínimo um, bom programa apresentado por ele.
No melhor estilo bom-moço, a MTV ainda tem um quadro de debates capitaneado por Lobão. Eles escolhem um tema e colocam três neófitos de cada lado, defendendo posições contrárias. No paraíso das boas intenções pode fazer algum sentido, na televisão, de verdade, é apenas chato.
Diante do triste quadro geral de atrações próprias, a MTV conta com duas pérolas. Uma delas é o Top Top, programa no qual são eleitos os dez mais da música em um determinado tema. Algumas seleções são históricas, como a dos piores covers da história da música e a dos dez músicos mais bebuns. Mesmo tendo um formato com prazo de validade – cada boa aposta é um tema a menos a ser explorado – o programa continua com pegada. O casamento de Léo Madeira e Marina Person dá certinho e os dois imprimem ritmo às boas histórias peneiradas pela produção.
Se o Top Top ganha por contar com pesquisa e produção consistentes, a outra grande atração da MTV se destaca justamente pelo improviso. 15 Minutos tem inserções quase diárias na programação da emissora. O quadro é sempre o mesmo. Marcelo Adnet e seu companheiro Kiabbo fazem, no estilo Seinfeld, um programa sobre o nada.
Adnet fica em frente ao computador lendo e-mails e navegando. Kiabbo, fica ao seu lado, tocando violão em uma poltrona. Uma proposta bem parecida com a do finado Mad TV (aquele do “agitação, curtição, Mad TV, que legal”), sucesso na televisão local há uns quinze anos.
Despretensioso, 15 Minutos tem na simplicidade e na verossimilhança suas armas para o sucesso. O mundo da classe média está cheio de “adolescentes” de vinte e poucos anos trancados em quartos de apartamento, deixando o tempo passar, navegando, arranhando o violão e elaborando teorias furadas sobre qualquer coisa. A torcida é para que Adnet consiga segurar mais uma série de programas com o melhor dos temas: o nada.
* * * * * *
15 Minutos vai ao ar de segunda a quinta-feira, às 21h45 (com reprises nos mesmos dias, às 0h45 e 17h45), na MTV Brasil.
Publicado hoje na coluna Sintonia Fina na Gazeta do Povo.
Eu tinha uns doze anos no comecinho de 1992, quando perambulava com um amigo pelas ruas do bairro entre uma partida de videogame e outra. Era uma época de férias escolares, de uma idade em que você já não quer exatamente brincar, mas também não tem - ou eu não tinha pelo menos - capacidade suficiente para ficar ao lado das belas meninas da sala.
A grandiosidade das opções de lazer à nossa disposição nos levou até o Shopping Água Verde, bem pertinho de casa. Mas antes de nos dirigirmos ao fliperama, o que seria o normal naqueles tempos, meu amigo me chamou para ir até uma loja de música, dessas que vendiam vinis, fitas K7 e, a preços mais caros, cds. Ele pediu uma fita com um molequinho pelado na capa e me disse: "Escuta aí, você vai gostar". Segui a ordem. Coloquei o fone de ouvido e apertei o play. Aí começou: Tãndandan, tãndan, tãndandan,tãndan,tãndandan, tãndam, tãndamtãndamtãndamtãndandam.
Faça a conta aí no seu relógio, leitor. Foram seis segundos daquela guitarra estranha, que parecia desafinada. Aí entrou uma bateria que na minha cabeça de 12 anos só poderia estar sendo tocada por alguém com muitos problemas em casa e no colégio e, com oito segundos, aquela guitarra trêmula ficou mais nervosa, dando início a uma bagunça sonora que mudou a minha vida. Fim das contas leitor. Bastaram cerca de dez segundos para que Smells Like Teen Spirit, primeira faixa do álbum Nevermind, do Nirvana, viesse para dizer tudo aquilo que precisava ser dito.
Divulgação
Nervermind: o disco do molequinho pelado é um estrondo.Ali, provavelmente, meus olhos já estavam arregalados e o espanto tinha tomado conta do meu ser adolescente. Mas era só o começo. Aquela música tinha uma capacidade única de acelerar e desacelerar. A coisa te deixava em tal estado de agitação, pronto para sair pulando e, de repente, voltava a ficar calminha. Quando o Kurt Cobain, naquele momento um completo desconhecido para mim, começou a cantar, tudo fez sentido. Eu não sabia nada de inglês e não estava entendendo coisa nenhuma que o cara cantava, mas ele estava passando por um mau momento, dava pra sentir. Aquele cara, cantando daquele jeito, sabia exatamente a dureza da minha adolescência. Provavelmente ele também era apaixonado por uma menina do colégio que só queria saber dos caras mais velhos. Provavelmente ele fazia parte da turma dos caras não-legais, que ainda pareciam serem vestidos pela mãe e que não tinham a mínima capacidade motora de dançar com alguém na festa americana. Na verdade, a julgar pelos gritos que ele dava e por aquele tom de lamúria e desespero, os problemas dele deveriam ser bem maiores do que os meus. Mas com problemas tão grandes, ele seria um cara legal para ficar conversando na hora do intervalo e ir jogar fliperama. Aquele era um cara que saberia te ajudar.
A minha primeira audição de Nevermind e a conseqüente epifania desencadeada pela música acabou ali, com o fim de Smells Like Teen Spirit. Em poucos dias, porém, eu já tinha uma fitinha gravada, lado a e b com Nirvana em cada um deles. Cada música, agora devidamente anotada em um papelzinho, ia realçando aquela primeira impressão. O começo arrasador de In Bloom, a combinação calma/desepero de Lithium, o esporro quebra tudo de Territorial Pissings. Nevermind foi para mim e para uma multidão de jovens, adolescentes e pré-adolescentes do mundo todo, o que poucos discos na história da música conseguem ser. O segundo disco do Nirvana foi o disco certo na hora certo. Da Noruega ao Uruguai, das cidadezinhas interioranas dos Estados Uidos às metrópoles terceiro mundistas brasileiras, aquela música dizia muito, dizia tudo.
Para mim e para essa multidão toda, o Nirvana fez o que tantos outros grupos fizeram em épocas que eu não vivi. Como provavelmente os Smiths tenham feito na década de 80, o Joy Division, o Clash, os Pistols, o Led Zeppelin e os Beatles fizeram em gerações anteriores. Todo esse papo de banda da minha geração pode parecer clichê hoje em dia, nesses tempos em que um milhão de novas bandas surgem por dia e, segundo o Lúcio Ribeiro, cada uma delas veio para salvar o humanidade.
Saudosismo ou não, ou fato é que Nevermind, segundo álbum do Nirvana, foi meu Sgt.Pepper's. É o disco que marcou minha passagem da infância para a adolescência. Com o Nevermind eu quis aprender a tocar guitarra, baixo, bateria, fazer letras, quebrar instrumentos e usar camisas de flanela. Desisti de todas essas possibilidade há algum tempo, mas, se eu estou aqui escrevemdo este blog, a culpa é deste disco. Foi a partir do Nevermind que eu decidi que ia gastar uma parte considerável da minha vida escutando música, vendo shows e lendo sobre bandas. A culpa é toda daquela ida ao shopping naquela tarde, lá no começo de 92.
Você leitor, pode me dizer. Qual disco mudou sua vida?
E hoje tem show do Echo & The Bunnymen na Hellooch. Para quem nunca viu a banda ao vivo, vale a pena aparecer por lá. Porque ao contrário do que muita gente pensa – e diferentemente do Gene Loves Jezebel e do T.S.O.L., que se apresentam no mesmo evento – o Echo não está nada decadente.
Este ano o grupo liderado por Ian McCulloch e Will Sergeant completa 30 anos de formação. Para celebrar, eles lançam um disco novo (The Fountain), em setembro e, no mesmo mês, fazem um show especial em que tocam o clássico Ocean Rain na íntegra, acompanhados de uma orquestra.
Dia desses o Voxpop falou com o simpático McCulloch por telefone. Confira a seguir os trechos mais bacanas da conversa:
Brasil
“A primeira vez que estivemos aí foi em 1987 e já me disseram muitas vezes que foi um marco na nossa trajetória ao vivo. Ficamos impressionados com a quantidade de pessoas que foi nos ver, com o quanto éramos populares entre os brasileiros e com a maneira que vocês entenderam nossa música.”
Clássicos
“É engraçado. Para nós, é como se estivéssemos tocando 'Strangers in the Night'. Escrevemos músicas tão icônicas, não diria famosas, mas que permanecem no coração das pessoas. A cada ano que passa elas parecem fazer mais sentido e é nosso dever tocá-las. Este ano completamos 30 anos de banda e essas músicas soam mais frescas que nunca.”
Ocean Rain
“Vamos tocar no Albert Hall, em Londres; no Liverpool Arena, em Liverpool; e no Radio City Music Hall, em Nova Iorque. A idéia é fazermos dois sets. Um primeiro, com as canções clássicas do Bunnymen, mais algumas canções novas e, após um intervalo de uma meia hora, voltamos ao palco para tocarmos o Ocean Rain na íntegra, acompanhados de uma orquestra. Nós temos planos de levar esse show para o Brasil. Não será dessa vez, mas da próxima, com certeza.”
Echo Hates Jezebel?
“O Gene Loves Jezebel abriu uma turnê nossa pelos EUA, por volta de 1986. Eu não sou muito fã deles. Não queria que eles fizessem parte da turnê. Era uma época em que tocávamos muito com o New Order, então, eu queria que eles tocassem conosco. Sugeriram o Gene e eu disse não, mas não adiantou. Eles são pessoas legais, mas não é o tipo de banda que eu costumo ouvir.”
In New Music I Don't Trust
“Dos EUA eu gosto do MGMT, pois o vocalista parece mesmo um rockstar. Há também uma banda de Glasgow, que deve estourar em breve, chamada Glasvegas. Eles são fantásticos e o som é algo como Phil Spector encontra os Bunnymen. Mas é engraçado como as coisas que aparecem hoje em dia não permanecem. Eu não sou muito fã dos Arctic Monkeys e acho que vai ser bem difícil para eles continuarem a fazer música, pois suas canções, na minha opinião, não desafiam as pessoas, não as fazem pensar.”
A lendária banda curitibana Woyzeck apresenta hoje no Vox (Rua Barão do Rio Branco, 418) o show The Pretty Things Are Going to Hell, composto somente por releituras de canções de David Bowie.
O Woyzeck atual é composto pelos músicos Rodrigo Stradiotto (guitarra), Denis Nunes (baixo), J. C. Branco (bateria), Luís Henrique Pellanda (voz) e Matheus Dias (guitarra). Os shows começam às 22 horas. O ingresso custa R$ 8. Mais informações pelo telefone (41) 3233-8908.
Para quem não sabe, o Woyzeck foi uma das mais representativas bandas curitibanas do início da década de 90 e tem um dos grandes cds já produzidos por essas plagas, o Quebra-Queixo. Hoje, envolvidos em projetos diferentes, os integrantes do Woyzeck tocam o que querem, quando querem. Just for fun. Diversão garantida também para quem assiste.
Divulgação

Eu sempre gostei da Zooey Deschanel. Minha simpatia por ela teve início quando vi Quase Famosos pela primeira vez. Anita, sua personagem, a irmã do “inimigo” jornalista de rock (como todos os jornalistas que cobrem esse assunto, a julgar pelo tratamento que recebi dos leitores no post anterior), realmente tinha uma coleção de discos capaz de mudar a vida de qualquer irmão mais novo.
A admiração aumentou quando assisti a Elfo – O Falso Duende (sim, eu não só vi esse filme, como gosto bastante dele, pois me mato de rir com o Will Ferrell). Há uma cena em que Zooey, no papel de Jovie, funcionária de uma grande loja de departamentos nova-iorquina, canta canções natalinas debaixo do chuveiro, enquanto o duende Buddy (Ferrell) – importante frizar aqui que ele não era um “falso duende” como diz o título do filme; ele simplesmente não sabia que não era um duende de verdade, ora bolas – entra no banheiro e ouve tudo, escondido. Ela não aparece nua, eles não fazem sexo, nem nada do tipo, mas a cena chamou minha atenção porque ela tem uma voz realmente bonita (e porque o Will Ferrel é mesmo muito engraçado).
Há algumas semanas, soube que Zooey tem uma banda. Uma banda não, uma dupla, chamada She & Him. O “him” é o one-man-band Matt Ward, guitarrista de Portland, que toca em álbuns de gente como Cat Power, Beth Orthon, Bright Eyes, Jenny Lewis, Norah Jones e a lista é longa. E a “she”, obviamente, é Zooey.
Zooey desde pequena canta em corais. Cresceu ouvindo a música de nomes como Les Paul & Mary Ford, The Ronettes, Nina Simone, Chet Atkins e Linda Rondstadt. Durante anos, compôs e gravou canções em fitas demo, que guardava, sem um objetivo aparente. Quando conheceu Ward, resolveu mostrar a ele suas canções e assim teve início o She & Him.
A dupla lançou seu primeiro álbum, Volume One, em março deste ano. Ao todo, são 13 canções – dez delas escritas por Zooey; uma de Lennon e McCartney (“I Should Have Known Better”) e outra feita em parceria com o também ator Jason Schwartzman (o Luís 16, de Maria Antonieta, que, por sinal, também tem uma banda ótima, sobre a qual possivelmente eu escreva mais tarde).
A faixa de abertura, “Sentimental Heart”, já adianta o assunto preferido de Zooey: corações partidos e desecontros amorosos. A sonoridade retrô das canções também fica evidente. A bubblegum “I Was Made for You” parece saída dos anos 50, com letra ingênua e refrão repleto de woo-bop-dee-das. Mas minha preferida mesmo é “This Is Not a Test”, uma das disponibilizadas no MySpace da dupla . Canções meigas, românticas e nostálgicas, ideais para celebrar o Dia dos Namorados em uma data mais original e menos comercial que ontem. Se arrisca?
Poucas pessoas no mundo do rock sustentam em seu currículo a façanha de terem sido expulsas de uma banda por serem muito loucas. Um deles é Dave Mustaine, que traz seu Megadeth a Curitiba na noite de hoje.
Fundador do Metallica ao lado do canastrão Lars Ulrich e do assassino de ursos James Hetfiled (se você já assistiu ao documentário 'Some Kind of Monster', sabe do que estou falando), Mustaine foi mandado embora da banda menos de dois anos depois de ter entrado nela.
Segundo os colegas, Mustaine ficava agressivo quando bebia e cheirava cocaína. Obviamente Mustaine não pirava sozinho – naquela época, os integrantes do Metallica sustentavam com orgulho a fama de beberrões. O problema, é que Mustaine passava dos limites.
Certa vez, derramou cerveja de propósito no instrumento do então baixista da banda, Ron McGovney. Ao ligar o baixo, McGovney levou um choque fortíssimo. Pouco tempo depois, abandonou a formação. Hetfield também teve problemas. Fez a besteira de chutar o cachorro de Mustaine. Em troca, levou um murro na cara (ok, mereceu).
Fato é que Mustaine nunca superou o fato de ter sido expulso do Metallica. Até hoje, não se conforma com o fato de o Megadeth nunca ter atingido o mesmo nível de popularidade de sua ex-banda. Esse é um assunto que ainda arranca lágrimas de Mustaine. Não acredita? Assiste a isso aqui, então:
Eles são integrantes de uma novíssima safra de bandas curitibanas e, até o momento, são a principal representante dessa safra. Wonder (vocais), Artur (guitarra), Salim (baixo) e Cajinha (bateria) formam a banda Sabonetes, que, como ninguém por esses lados, conseguiu pegar carona no vigor desse monte de bandas legais do novo rock.
Ao vivo os Sabonetes sintetizam Bloc Party, Strokes, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, entre outras. Fazem um show vigoroso e garantem aquela sadia mistura de cerveja, música boa e meninas bonitas dançando em frente ao palco.
Pois bem, o fato é que os rapazes decidiram ir além. Deixaram um jogo ganho de covers e uma ou outra composição própria para apostar no som autoral. O material no MySpace mostra que eles estão no caminho certo. O som é aquele indie grudento, um pouco Strokes e um pouco Los Hermanos com DNA próprio. Os Sabonetes lançam nesta sexta-feira, em show com a promissora Mallu Magalhães, o EP Descontrolada e prometem um disco até o final do ano. Sobre isso, o Vox Pop conversou com Artur, vocalista e guitarrista do grupo.
Vox Pop - O show de sexta marca o lançamento do EP de vocês. Esse é o primeiro registro autoral da banda?
Artur - A gente já tinha algumas músicas que liberamos no MySpace e no site da Trama Virtual. Mas esse é o nosso trabalho mais sério até agora.O Tomas Magno, que já trabalhou com grandes bandas brasileiras e foi indicado pelo pessoal do Terminal Guadalupe, foi o produtor. São três músicas: Descontrolada, que dá nome ao EP; Hora de Partir, que é uma composição nossa com o Rodrigo Lemos, da Poléxia e Quando Ela Tira o Vestido. Gravamos em Curitiba e a mixagem foi feita na Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, pelo Magno.
DIvulgação
Sabonetes: deixando os covers para trás.Artur - Essa fase está passando justamente agora. Foi uma coisa que conversamos muito e uma decisão que tomamos juntos. Nós começamos como uma banda de covers, como a maioria das bandas começa. É uma fase importante até para ver se é realmente com aquelas pessoas que você quer tocar. Tocamos em vários bares da cidade e isso foi muito importante. Foi com o dinheiro desses bares que conseguimos gravar as três músicas e esse dinheiro vai nos ajudar a gravar o disco. Agora esse show de sexta marca essa nova fase. Temos umas 13 músicas próprias e estamos compondo outras para o disco que deve sair até o fim do ano.
Vox Pop - Você acha que o público de vocês vai topar essa mudança?
Artur - Está topando até agora. Fizemos alguns shows só com músicas próprias e a resposta foi muito boa.
Serviço:
Banda Sabonetes lança EP “Descontrolada” ao lado de Mallu Magalhães
Dia 30/5, às 22 horas
Jokers Pub - Rua São Francisco, 164
Ingressos antecipados no Jokers a R$15. Na hora, R$20.
Hoje é dia de tributo ao Kiss no Empório São Francisco. A banda responsável pela barulheira é Kisstory, cujo guitarrista, Titi Barros, e o vocalista, Kako Louis, também tocam no Fábrica de Dragões, grupo de competente som autoral que remete, além do Kiss, aos grupos de hard rock dos anos setenta.

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