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Quinta-feira, 28/08/2008
Divulgação/Europa filmes
Moragan Freeman e Greg Kinnear: unidos pela tristeza.Morgan Freeman é um grande ator. Suas atuações em clássicos contemporâneos como Um Sonho de Liberdade, Os Imperdoáveis e Menina de Ouro, filme que lhe deu o Oscar de coadjuvante, não mentem. Acontece que, de alguns anos para cá, Hollywood tem insistido em lhe dar papéis que de alguma forma mascaram seu talento: basta conferir o ótimo Batman – O Cavaleiro das Trevas e o interessante O Procurado, ambos em cartaz nos cinemas, para perceber isso. Em ambos, vive personagens nada complexos, sem muitas nuances, bem aquém do que ele é capaz de fazer.
Embora não seja um grande filme, Banquete de Amor, que acaba de chegar às locadoras, devolve um pouco a Freeman, recentemente envolvido em grave acidente de carro, um pouco de sua "humanidade". Na trama, ele é Harry Stevenson, um professor universitário que se afasta das salas de aula depois que seu filho único morre de uma overdose de heroína. Ele se sente culpado por nunca ter percebido qualquer sinal de que isso pudesse um dia acontecer.
Enquanto busca fazer as pazes consigo mesmo, Harry encontra em um café que costuma freqüentar uma série de pessoas que, de alguma forma, tenta ajudar, como uma espécie de compensação pelo que não pôde fazer pelo filho morto. Vira um "salva-vidas" emocional de corações partidos. Entre eles está Bradley Smith (o talentoso e subestimado Greg Kinnear, de Pequena Miss Sunshine), sujeito de ótima índole, honesto, sincero, mas um tanto ingênuo.
Primeiro, Bradley perde a esposa (Selma Blair) para outra mulher. E, mais tarde, casa-se com uma agente imobiliária bela e provocante (Radha Mitchell, de Melinda & Melinda), que esconde dele estar vivendo há anos um complicado caso com um homem casado.
Inter-racial
Com personagens interessantes e um bom elenco, Banquete do Amor promete mais do que efetivamente consegue oferecer ao espectador. Erra ao misturar vida real com pitadas de realismo fantástico, ingrediente que quase faz a receita desandar. Ainda assim, o filme pode cativar o espectador. E Freeman, assim como a grande Jane Alexander (de Kramer Vs. Kramer e Diz Que Me Ama), que vive sua mulher, têm muito a ver com isso. Em um raríssimo exemplo de casal inter-racial de meia idade e classe média alta no cinema norte-americano, eles emprestam à produção motivos para conferi-la.
Divulgação
Angelina Jolie treina McAvoy para ser um grande assassino em O Procurado.O Procurado, que estréia hoje nos cinemas, tem uma trama que beira o absurdo e, se você for aquele tipo de espectador que busca realismo e coerência em absolutamente tudo que vê, nem se arrisque a conferir o filme. Vai se revoltar e regurgitar a pipoca. Dito isso, vamos ao que interessa: o espetáculo audiovisual incomum proporcionado pelo longa-metragem.
Tente imaginar uma trama na qual é possível enxergar a trajetória de um projétil a olho nu, na qual existam atiradores tão fantásticos e talentosos que possam disparar um tiro em curva. Ou perseguições de carros que parecem saídas de uma produção de ficção científica à la Blade Runner e não de um filme de ação. Pois, isso é O Procurado. Gostou? Então, corra para o cinema e divirta-se.
Retirado do universo imaginário das histórias em quadrinhos, o longa é assinado pelo russo Timur Bekmambetov, revelado por Guardiões da Noite, campeão de bilheterias no país de Tolstói, assim como sua seqüência. O enredo em torno do qual O Procurado é construído não passa de uma grande bobagem: existiria no mundo uma confraria de assassinos que remonta à Idade Média. Elimina pessoas em nome da manutenção de um certo equilíbrio social. Trata-se de um “privilégio” hereditário, como nas antigas corporações de ofício, no caso, de tecelões oriundos da Europa Oriental. Por conta desse fardo, digamos, genético, o tímido Wesley Gibson (o excelente James McAvoy, de Desejo e Reparação), funcionário de uma empresa burocrática e genérica, vê sua vida se transformar da noite para o dia. Um perdedor por vocação, ele descobre ser “o cara” ao ser informado que é filho de um desses superassassinos, morto por uma dissidência da confraria.
Para se preparar para sua “nova vida”, contudo, ele precisa receber treinamento de uma poderosa matadora (Angelina Jolie, perfeita no papel), comandada pelo todo-poderoso Sloan (Morgan Freeman, em mais um papel de “ser superior”). Wesley recebe uma missão, mas, no meio do caminho, percebe que pode estar sendo manipulado. Ou não.
McAvoy encarna com desenvoltura um herói dentro da tendência inaugurada pela Trilogia Bourne, estrelada por Matt Damon: é frágil, inseguro, pouco atlético, mas, no fundo, dotado de coragem e considerável senso ético. Mas está longe de ser perfeito. O desempenho do ator escocês empresta alguma dignidade a um filme-pipoca acima da média, apesar da banalidade de seu enredo.
O Procurado, é preciso admitir, tem senso visual apurado, humor e nunca se torna cansativo. Bekmambetov acerta a mão, e dentro do que se propõe, oferece inovação na sua proposta de estetização da violência. Não é pouco.
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Heath Ledger: o Coringa tem o poder.Pela quarta semana consecutiva, Batman - O Cavaleiro das Trevas liderou as bilheterias norte-americanas. O filme está em cartaz há 24 dias e já arrecadou US$ 441,5 milhões nos Estados Unidos. Isso quer dizer que a seqüência protagonizada por Christian Bale é o terceiro longa que mais faturou nos EUA em toda a história do cinema, atrás apenas de Titanic (1997), com quase US$ 601 milhões, e Star Wars (1977), com US$ 461 milhões. A previsão é que a nova aventura do Homem-Morcego ultrapasse o filme original da saga de George Lucas até o próximo domingo, possivelmente antes.
Será que o Coringa de Heath Ledger tem mais poder do que Darth Vader em um confronto de vilões?
Divulgação
Darth Vader tem sua supremacia ameaçada?Divulgação
Leonardo DiCaprio e Kate Winslet se reencontram em Revolutionary road.Em Revolutionary Road, ainda sem título no Brasil, ela volta a contracenar com Leonardo DiCaprio, seu parceiro em Titanic. Apenas esse reencontro já deve garantir à produção muita atenção da mídia quando for lançado, no fim de 2008. Mas o buzz em torno do longa-metragem é grande.
Sob a direção de seu companheiro na vida real, Sam Mendes (de Beleza Americana), Kate vive o papel de uma dona de casa dos anos 1950 que tenta fingir para si mesma que é feliz ao lado do marido (DiCaprio), também frustrado com uma carreira entediante de burocrata. Ela sonhava em ser atriz, mas tem de se contentar com um cotidiano sem surpresas num subúrbio em Connecticut.
Tudo muda quando o casal, disposto e levar uma vida mais intensa, resolve migrar para a França, onde sua relação é colocada em jogo.
O outro filme estrelado por Kate que será lançado em 2008 é The Reader, de Stephen Daldry (de As Horas). A atriz substituiu Nicole Kidman no papel de uma mulher, condutora de ônibus antes da Segunda Guerra Mundial, que é levada a júri por ter servido como guarda em um campo de concentração nazista. Muitos apostam que esse personagem, bastante complexo e polêmico, lhe dará uma indicação ao Oscar, talvez como atriz coadjuvante, já que o personagem central da trama é vivido por Ralph Fiennes.
Um leitor da Gazeta do Povo vai poder fazer parte do júri popular do Festival de Cinema de Gramado, que acontece mês que vem na cidade gaúcha. O vencedor terá todas as despesas pagas e deverá assistir a todos os longas-metragens da mostra competitiva.
Para participar, basta enviar um texto de 2.000 caracteres sobre um dos seguintes filmes: Tropa de Elite, O Cheiro do Ralo e Estômago, até o dia 30 de julho, para o e-mail cadernog@gazetadopovo.com.br.
O vencedor deverá estar em Gramado no dia 10 de agosto e retornar no dia 17. Boa sorte!
Olá pessoal,
Blogueiro avisa que está em férias e volta em agosto.
Até lá.
Pixar/Disney
Wall-E e Eva: os robôs também amam.Wall-E, nova produção da Pixar em parceria com a Disney, é um dos melhores filmes que vi neste ano. Um deslumbramento do ponto de vista visual - o que não chega a ser novidade para os estúdios que produziram jóias como Ratatouille e Procurando Nemo -, a animação também é um achado em outros aspectos.
É genial a idéia de um protagonista que não fala, só emite sons -- e o próprio nome. Essa caracerística faz com que a primeira metade do longa-metragem, que se passa numa Terra devastada, coberta de entulho, triste, poeirenta e sombria, beira a perfeição. Nesse cenário de profundo desolamento, brota lirismo: o robô, uma empilhadeira de dejetos velha e obsoleta, se apaixona por Eva,uma máquina de última geração, com look de iPod, que vem ao planeta em busca de sinais de vida orgânica.
Crítico em relação ao que o homem contemporâneo tem feito como o meio ambiente e a si mesmo, o filme consegue escapar do tom politicamente correto chato, porque também lança mão de humor refinado, romantismo à moda antiga e uma narrativa ágil e envolvente. Não percam.
Catharine Zeta Jones e Guy Pearce: marginais que se encontram.Estão chegando às locadoras dois filmes um tanto singulares sobre personagens igualmente fora do comum: o mágico húngaro Harry Houdini, que de fato existiu, e o assassino serial britânico Sweeney Todd, espécie de lenda urbana inglesa e tema de diversos livros, peças de teatro e filmes.
Exibido sem grande alarde nos cinemas este ano, Atos Que Desafiam a Morte não é uma cinebiografia de Houdini (1974 – 1926), mito do ilusionismo que, no início dos século 20, quando já estava radicado nos Estados Unidos, era uma espécie de superstar de dimensões planetárias.
O filme, assinado pela australiana Gillian Armstrong (de Adoráveis Mulheres), foca nos meses que antecedem a morte prematura do mágico, aos 56 anos. Guy Pearce (de Amnésia) empresta ao personagem complexidade e, sobretudo, ambigüidade.
No centro da trama está o relacionamento de Houdini com a escocesa Mary McGuire (Catherine Zeta-Jones), uma mulher que ganha a vida como falsa vidente em teatros burlescos, aplicando pequenos golpes, nos quais envolve, como cúmplice, sua filha, a menina Benji (a excelente Saoirse Ronan, indicada ao Oscar de coadjuvante por Desejo e Reparação). Os dois se conhecem durante uma turnê do mágico pela Grã-Bretanha.
Como se trata de um filme sobre os limites entre a ilusão e a realidade, a mentira e a verdade, Gillian Armstrong consegue, com sutileza e elegância, contar uma história de amor entre duas pessoas que têm muito a esconder do mundo e um do outro. Não são heróis convencionais, mas, de certa forma, marginais. Essa dualidade, somada a fluidez da narrativas, fazem de Atos Que Desafiam a Morte um filme acima da média.
Sangue
Vencedor do Oscar de melhor direção de arte e do Globo de Ouro de melhor filme (comédia/musical) neste ano, Sweeney Todd, o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, por sua vez, é uma bela adaptação para o cinema do premiado musical de Stephen Sondheim, autor de West Side Story.
Sob o comando de Tim Burton, com quem já havia trabalhado em Ed Wood, Edward Mãos-de-Tesoura e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Johnny Depp (também vencedor do Globo de Ouro) brilha como um homem com sede de vingança na Inglaterra do século 19. Preso por um crime que não cometeu, Benjamin Barker sai da cadeia transformado em Sweeney Todd, que, com sua verdadeira identidade, tem apenas a profissão: barbeiro.
Obcecado com a idéia de matar o juiz (Alan Rickman) que o condenou, casou-se com sua mulher e adotou sua filha, Todd encontra em Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter, de Clube da Luta), famosa por fazer "as piores tortas de Londres", a parceira ideal para seu plano sanguinário.
A bela trilha sonora e o estonteante visual gótico, bem ao gosto de Burton, seduzem, mas podem causar estranhamento a quem não está acostumado a musicais, ainda mais quando se trata de uma história de terror. Não é um filme para todo mundo.
Divulgação
Anna Hathaway e Steve Carell: dupla sem graça.Divulgação/New Line
Sex and the City - O Filme é um retrato da "mulher moderna" ou não? Eis questão.A série norte-americana Sex and the City fez tanto sucesso - e teve tamanho impacto na cultura pop - que passou a ser descrita como um retrato fiel da "mulher moderna". Será? Tenho cá minhas dúvidas sobre quantas representantes do sexo feminino conseguem se enxergar nas aventuras e desventuras do quarteto nova-iorquino formado pela escritora fashionista e romântica Carrie (Sarah Jessica Parker), pela cerebral e empreendedora Miranda (Cinthia Nixon), pela liberada e algo ninfomaníaca Samantha (Kim Catrall) e pela puritana e maníaca compulsiva Charlotte (Kristin Davis).
Cabe às leitoras responderem, já que não me julgo capaz de responder sobre a "relevância socioantropológica" das personagens, todas muito simpáticas, mesmo quando irritantes.
O fato é que Sex and the City - O Filme, um dos mais inesperados êxitos internacionais de bilheteria, é muito mais bem comportado do que o seriado da HBO. Menos comédia e mais drama, bem menos sexo e mais cidade. Dos sonhos. Despudoradamente românticos. E é isso que me leva a questionar essa história toda de "retrato da mulher contemporânea". Menos, né?
Não me entendam mal. Eu gostava (e gosto) bastante da série. Engraçada, perspicaz, bem escrita e sexy, sem ser chula. Ou banal. E não desgostei do filme, que me divertiu bastante em algumas partes. Só não vejo muito bem motivos para enxergar tanto significado no quarteto, na verdade arquétipos possíveis de mulher, mas, certamente, não os únicos. Ou o mundo estaria perdido entre saltos altos, roupas de grife e taças de martini. Vazias.
Acho que é um assunto a ser discutido. Entre mulheres e homens, que parecem torcer o nariz - e outras partes do corpo - diante da possibilidade de assistr a esse "filme de mulherzinha". Discordo do conceito, mas já ouvi essa frase tantas vezes que...
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A “síndrome do mas” atingiu o STF
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