Sábado, 22/11/2008
Querida comadre Marisa,
Escolhemos as praias catarinenses e pudemos, você mais e eu menos, curtir doses moderadas de ócio. Aliás o Domenico de Masi ficaria orgulhoso da sua defesa do "dolce far niente".
O fato, porém, é que nem todos os que fazem turismo no Brasil têm a mesma sorte -- e não me refiro apenas às estradas assassinas que neste Ano Novo causaram "apenas" 99 mortes.
Estou falando é da pobre turista paulista que foi a Foz do Iguaçu e lá perdeu a vida. Certas declarações de autoridades sobre o caso são mais que lamentáveis. Insinua-se que Vanda Cutolo, uma mãe que provavelmente gastou as economias do ano para levar os dois filhos às Cataratas, foi descuidada por exibir publicamente sua câmera fotográfica.

A superintendente do Centro Integrado de Atendimento à Mulher e ao Turista de Foz, Lucimeire Amaral, chegou a dizer que "a ocasião faz o ladrão". Não fosse ela uma delegada responsável pela segurança de quem circula pela cidade, seria uma bela demonstração de conhecimento dos ditados populares.
Mais uma vez nossas autoridades, que falham copiosamente na tarefa de prover segurança, transformam a vítima em algoz. Foi assim também com a menina estuprada no Pará por ter sido trancafiada numa cela masculina, em Abaetetuba. Incapaz de reconhecer o erro grosseiro da Justiça paraense, o ex-delegado geral do estado, Raimundo Benassuly, disse que a jovem tinha "debilidade mental". Ainda que tivesse, isso não justificaria a violência cometida contra ela. Aliás, se é que isso é possível, o caso só ganharia em gravidade.
Mas voltemos à Foz de nossas plagas. Só para que não reste dúvida do que a superintendente do Centro Integrado de Atendimento à Mulher ao Turista pensa de seu papel, reproduzo aqui a citação dela publicada na reportagem da Gazeta do Povo de 31/12:
"Já atendemos um casal de turistas estrangeiros que, curiosos para conhecer uma favela, foi parar em uma das mais violentas da cidade. Tiveram todo o dinheiro, documentos e os equipamentos roubados. Poderiam ter sido mortos. Quando chegaram à delegacia, queriam que fôssemos até a favela recuperar o que os ladrões tinham levado."
Se eu entendi direito, a sra. Lucimeire acha absurdo que alguém vá à delegacia esperando recuperar bens roubados.
É ou não é uma inversão de valores espantosa até mesmo para esta Pindorama?
Espero ter um assunto mais leve para nossa próxima conversa na janela.
Até mais.
Sandra
Saudações ensolaradas, caríssima comadre Sandra!
Pela animação, você deve ter percebido que acabei de voltar da praia.
Não sou exatamente uma entusiasta da combinação sal, sol e areia, mas aprecio sem moderação o ócio que costuma integrar esse pacote.
Cerveja e camarão à beira-mar também me fazem reciclar alguns preconceitos quanto à vida litorânea.
E, surpresa das surpresas, comadre, apesar desse meu temperamento tão, digamos, sossegado, adoro praia barulhenta e cheia de gente. Morro de tédio só de pensar em praia paradisíaca, daquelas lindas, de cartão-postal, em que não passa ninguém.
Viva a fila do crepe!
Com que, então, transferi-me por alguns dias para Camboriú. Eu, a família, cachorro, alguns bons amigos e...metade dos paranaenses que resolveram ir à praia este ano.
Serra abaixo, comadre, Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e outras tantas atiraram-se mais uma vez, barriga prá cima e filtro solar, nas praias catarinenses.
Não leia nessas tortas linhas qualquer enviesada intenção de falar mal do litoral paranaense e de sua infra-estrutura para os veranistas.
Sei que outro dia, um leitor da Gazeta do Povo injuriou-se e disse que as referências às praias da Bela e Santa têm por fim desmoralizar as praias locais...
Trata-se de um exagero.
Agora, que não dá prá comparar, não dá mesmo. E a comadre, que andou ali por Bombinhas, em temporada de hotel de luxo, bem sabe do que estou falando.
Aproveite o tema para contar um pouco de suas experiências sob o sol, comadre.
Beijo,
Marisa
Comadre Marisa,
Voltei do descanso de Natal, que foi ótimo, e já estou estarrecida com um acontecimento lá do seu Rio Grande do Sul.
Na quinta-feira, em Palmeira das Missões, uma mãe armada com um 38 invadiu a escola para protestar contra a reprovação da filha em três disciplinas da terceira série do senino médio: Química, Física e Matemática.
As ameaças de morte feitas pela mulher causaram histeria geral no dia em que o colégio estava movimentado pela entrega final de boletins.
Como se vê, os pais tem sido os primeiros a tirar a autoridade da escola. Isso também aconteceu aqui no Paraná recentemente, lembra? Um colégio de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, teve de aceitar de volta um aluno expulso por indisciplina.
Os pais modernos não aceitam qualquer frustração aos filhos. Por essa lógica, ainda que não tenham tido bom desempenho escolar ou que tenham desrespeitado colegas e educadores, as crianças e jovens não podem ser reprovadas, advertidas ou expulsas. O que resta, então, como meio para que a escola discipline os alunos?
Que a gente aproveite esse descanso de fim de ano para pensar no tipo de sociedade que estamos formando.
Dá tempo de mudar de rota, sim. Felizmente.
Um beijo,
Sandra
Querida Marisa,
Que bom que aceitei seu conselho e resolvi viajar de carro. As estradas, claro, estão entupidas. Mas, como dizem seus ascendentes italianos, "piano, piano, se va lontano".
Quem acreditou que o super-Nelson Jobim evitaria o caos nos aeroportos, infelizmente, terá motivos para se arrepender. O sujeito trabalha o ano todo, faz economia para passar o fim de ano com a família e, na hora de embarcar, tem de enfrentar atrasos e cancelamentos. Sem falar na descortesia contumaz oferecida pelas companhias aéreas.
Como nosso direito de escolha está restrito -- só há duas grandes empresas operando --, não há muito o que fazer a não ser nos conformar com o déjà-vu nos aeroportos.
O jeito é torcer para o verão -- alta temporada -- passar logo. No inverno a vontade de viajar fica de lado. O brasileiro tem mais é que parar com essa mania de querer aproveitar o direito de ir e vir...
Até a volta, comadre.
Olá Marisa
Lembra de uma decisão da Câmara que reduzia para 55 o número anual de dias úteis em as sessões poderiam ser suspensas nas casas parlamentares?
Pois por aqui ela não vingou. É os deputados estaduais já decidiram que 2 de fevereiro não é uma boa data para voltar ao trabalho. É sábado de Carnaval e nem passa pela cabeça dos nobres parlamentares voltar ao batente numa data assim.
Só me pergunto se os deputados ainda terão disposição para festejar. Suas férias, iniciadas há quase uma semana, vão chegar aos 45 dias quando a próxima temporada de sambas e marchinhas chegar. Haja ocupação para tanto tempo livre!
E já que ninguém é de ferro, eles só voltam mesmo no dia 11. O carnaval parlamentar, portanto, não será de quatro dias, como o dos mortais comuns. Depois da chamada quarta-feira gorda, eles terão a quinta-feira gorda e a sexta-feira gorda, numa obesidade que se emenda ao fim de semana. E isso tudo com o dinheirinho suado dos contribuintes.
Até este ano a Assembléia começava suas sessões em 15 de fevereiro e ia até 30 de junho. O segundo semestre ia de 1.º de agosto a 15 de dezembro, o que rendia exatos 90 dias de pernas para o ar.
Com a emenda constitucional aprovada em março, as sessões deveriam começar em 2 de fevereiro, seguindo até 17 de julho e, depois, seguirem de 1.º de agosto até 22 de dezembro. As folgas em dias úteis seriam reduzidas a 41 dias.
Nada mau considerando-se que na iniciativa privada o trabalhador tem direito a 30 dias se -- e somente se -- tiver a sorte de trabalhar com carteira assinada.
Seria o caso, amiga Marisa, de perguntar se você não se dispõe a apresentar sua candidatura em 2010. Mas não pergunto. Sei que isso não faz seu gênero. Nós, como a maioria dos paranaenses, temos férias bem menos generosas e nos empenhamos para que nosso trabalho seja o mais produtivo possível.
Sendo assim, que em 2008 não nos falte trabalho nem saúde e que a gente tenha menos motivos para criticar nossos representantes.
Aproveito também para te desejar um feliz Natal e para pedir que você regue minhas plantinhas nos próximos dias, enquanto eu estiver fora da cidade.
Beijo,
Sandra
Caríssima comadre Sandra,
Estou verdadeiramente feliz por encontrar entre os nossos leitores (agora já perdi as contas, acho que são cerca de uns sete) admiradores de Milton, o monstro.
A lembrança do desenho animado de meus tempos de criança tornou ainda mais lúdico este blog nunca dado a muita sisudez.
É fato que a comadre colaborou, pesquisando sobre o desenho, embora tenha cá algumas dúvidas sobre suas reais intenções -- satisfazer minha curiosidade e a dos leitores, ou fazer referências ferinas à passagem do tempo.
Ainda não engoli esse negócio de "mofolândia"!
Mas, vá lá! Ganhamos audiência sem falar mal de ninguém.
Meus agradecimentos a todos que se esforçaram por lembrar do Milton e até da música que relata seu atrapalhado nascimento.
Tudo prova que eu não estava louca, afinal.
Abraços,
Marisa
Marisa, querida
O que eu não faço para te agradar, hein?
Descobri no Google um site que trata, entre muitos outros, do desenho animado do Milton, o Monstro.

Fiquei sabendo que Milton, The Monster (nome original) é uma criação da Seeger Productions. Foram feitos 34 episódios. A base da história é uma falha do Professor Weirdo, que ao montar seu Frankestein acrescenta, sem querer, uma dose de ternura.
Espero que você o o Cássio possam matar a saudade.
Sandra
Querida comadre,
Não é por nada, mas essa nostalgia toda acaba entregando mais informação para o público-leitor (ou o público-de-cinco-leitores, no nossa caso) do que desejamos.
Quando a gente começa a lembrar de coisas que ninguém mais lembra, é porque o tempo passou, o tempo voou...
Bueno, como diriam os gaúchos, o fato é que eu também tenho cá minhas lembrançazinhas musicais, talvez não tão antigas quanto as da comadre!
Um dos jingles de melodia mais bonita de que me lembro é do Martini Bianco.
"Descobriu Martini Bianco descobriu prazer/Escolheu Martini Bianco escolheu viver/Bianco/É Martini Bianco/Qualquer hora em qualquer lugar/É Martini-i-i..."
Outro é dos jeans US Top, lembra?
"Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada/Que você pode usar do jeito que quiser/Não usa quem nâo quer/US Top/Desbote e perca o vinco..."
Mas, comadre, mudando de mala prá saco, o que me entristece mesmo é que não consigo encontrar um contemporâneo que lembre do desenho animado "Milton, o monstro", que eu via na televisão, há algum tempinho.
Sei até a música=tema de cor, sou capaz de cantá-la reproduzindo a coreografia que o pequenino cientista maluco fazia enquanto criava seu bondoso frankenstein, que soltava fumacinha pela cabeça...
Estou quase pensando tratar-se de alucinação, porque as pessoas me olham assustadas quando cantarolo "...uma pitadinha apenas de ternura/é coisa que mal não faz/é preciso ter um pouco de doçura/ou ele pode me destruir..."
Se algum dos nossos leitores fizer o favor de lembrar de Milton, o monstro, me deixará muito feliz. Faço uma apresentação especial da música que abria o desenho.
Beijo comadre,
Marisa
Querida Marisa, queridos (cinco) leitores,
Sei que a gaúcha dessa dupla é você, Marisa, mas devo confessar que estou sentindo falta da "estrela brasileira no céu azul, iluminando de Norte a Sul".

Sabia que canção original, de 1960, fala em "estrela das Américas"? Nos anos 70, a expressão foi alterada, tomando a letra que nós, que não éramos nascidas em 1960 (juro!), conhecemos.
Outro jingle que marcou os fins de ano da minha infância é aquele manjadíssimo, do Banco Nacional ("Quero ver, você não chorar..."), o que me faz pensar que jingle de Natal bonito é um indicador de falência futura.
Havia também um, da Olivetti, em que as teclas da máquina de escrever serviam como um piano improvisado a tocar Noite Feliz.

Pois descobri um site que tem essas e outras peças publicitárias pra lá de nostálgicas, agrupadas por década. O coral do Nacional é apresentado em duas versões, a primeira, da década de 70, e a segunda, repaginada, de 1985.
Mais jingles que merecem ser lembrados são o dos cobertores Parahyba, criação de 1950 que resistiu à passagem das décadas seguintes; o do Café Seleto (1978) e, para lembrar de um bem curitibano, o do Bamerindus (1985): "o tempo passa, o tempo voa..."
Está tudo lá na seção jingles e comerciais de tevê do site do radialista Fábio Pirajá.
Só senti falta de um jingle dos anos 90 criado pelo genial Washington Olivetto, da W/Brasil: aquele dos bichinhos da Parmalat.
E vocês? Têm algum jingle inesquecível?
Aposto que sim.
Abraço,
Sandra
Não, não foi no The New York Times. Mas, minha amiga, comadre e co-blogueira Marisa fez um belo comercial das Candinhas na edição de domingo da Gazeta do Povo.
Convidada a escrever uma crônica para a seção Peteca, do Viver Bem, a veneranda Marisa não se fez de rogada: publicou um texto originalmente criado para este blog, aquele em que ela começa contando que mediu o pé e segue condenando as calçadas curitibanas.
Mesmo que você, leitor, seja um dos nosso cinco fiéis seguidores que já leu o texto, recomendo que mergulhe na pilha de jornais do fim de semana e procure o Viver Bem. É que lá, ao contrário do que ocorre aqui no blog, há um retratinho da tímida comadre.
Vale a pena conferir!
Até mais
Sandra
Abaixo a indústria da fofoca. Proponho boicote geral
ATUALIZADOhá 55min
Prioridade absoluta à redação classificatória
ATUALIZADOhá 57min
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